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Em verdade temos medo. 
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto. 
 
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos. 
 
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes. 
 
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
 
Fazia frio em São Paulo…
Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça. 
 
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// 22 de março de 2014 / 09:27 AM // CATS > Diário, inspirações, inspiration, Journal // TAGS > + +

Bring me the sunset in a cup

Bring me the sunset in a cup,
Reckon the morning’s flagons up
And say how many Dew,
Tell me how far the morning leaps—
Tell me what time the weaver sleeps
Who spun the breadth of blue!
 
Write me how many notes there be
In the new Robin’s ecstasy
Among astonished boughs—
How many trips the Tortoise makes—
How many cups the Bee partakes,
The Debauchee of Dews!
 
Also, who laid the Rainbow’s piers,
Also, who leads the docile spheres
By withes of supple blue?
Whose fingers string the stalactite—
Who counts the wampum of the night
To see that none is due?
 
Who built this little Alban House
And shut the windows down so close
My spirit cannot see?
Who’ll let me out some gala day
With implements to fly away,
Passing Pomposity?

Emily Dickinson

// 13 de agosto de 2012 / 19:07 PM // CATS > books, Diário, everyday, Journal, livros, todo dia // TAGS > + +

 

como o sol

como a noite

 

como a vontade de comer

e o sono

 

como as preocupações

e o amor

e porque saio à rua

e trabalho

diariamente

 

(António Reis)

// 5 de dezembro de 2011 / 16:12 PM // CATS > books, Diário, inspirações, inspiration, Journal, livros // TAGS > + +

Pede-se a quem avistar
Luísa Porto, de 37 anos,
que apareça, que escreva,
que mande dizer
onde está.
Suplica-se ao repórter-amador,
ao caixeiro, ao mata-mosquitos, ao transeunte,
a qualquer do povo e da classe média,
até mesmo aos senhores ricos,
que tenham pena de mãe aflita
e lhe restituam a filha volatilizada
ou pelo menos dêem informações.
É alta, magra,
morena, rosto penugento, dentes alvos,
sinal de nascença junto ao olho esquerdo,
levemente estrábica.
Vestidinho simples. Óculos.
Sumida há três meses.
Mãe entrevada chamando. 

*ouça o poema completo, por Carlos Drummond de Andrade >

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// 19 de outubro de 2011 / 15:23 PM // CATS > books, Diário, fugas, getaways, inspirações, inspiration, Journal, livros // TAGS > + +

A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente de perdê-las,
Que perder não é nada sério.
Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,
A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente
Da viagem não feita. Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas. E um império
Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo
que eu amo) não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser mistério
por muito que pareça (Escreve!) muito sério.

Elizabeth Bishop

Tradução de Paulo Henriques Britto. Texto original na versão em inglês do site (clique abaixo).

Ps. presente da Claudinha Mesquita.

// 14 de julho de 2011 / 19:07 PM // CATS > books, Diário, inspirações, inspiration, Journal, livros // TAGS > + +
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